terça-feira, 22 de novembro de 2011

segunda-feira

Ele ainda podia sentir os batimentos cardíacos, do corpo que estava ali, deitado ao seu lado, semi nú, coberto por uma velha colcha bordada amorosamente por uma artesã mineira qualquer, tentava imaginar como era aquele tecido antes deles terem sidos costurado uns aos outros formando um grande tecido, e depois as mãos, já calejadas daquela pessoa que não tinha outra forma de colher seu sustento a não ser daquela forma tão singela e bela, ele quase que podia ver- ela ali sentada na sua frente, sorrindo, com a agulha na mão o tecido, enorme amontoado em seu colo,  o novelo de linha caído ao seu lado e os desenhos sendo formados, ponto após ponto, saindo do cérebro, mais antes passando pelo coração para se tornarem verdadeiros. Ele sentia calafrios, uma chuva leve, suave, doce, começava a cair lá fora, de vez em quando, quase que num gesto robotizado o corpo deitado suspirava, quase que implorando pelo seu fim...

domingo, 29 de maio de 2011

...por instantes mergulho em meu oceano, me perco em minhas estradas, não entendo minhas próprias placas, minhas rubricas já de nada servem pra mim a não ser para ocupar mais
espaço no livro que me foi dado para escrever minha própria vida, que tem tantas regras a ser seguidas que sobram pouquíssimas paginas para ser escrita, e nessas que me
restam tento comprimir ao máximo que posso as letras,  com medo de gastar muito papel, e muitas vezes quando olho só possui um emaranhado de rabiscos...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Olivia
-não consigo entender!
(Inconformada, levanta-se em um movimento fragmentado, seu simples chápeu  se esvai docilmente de suas mãos, que deixa tão sedosas palhas para rumarem em direção da face, e então seus olhos percorrem todo o ambiente, o azul do laço do cabelo de uma menina que  forma uma bela imagem moldurada  na parede,  prende os olhos cristalinos de Olivia e à leva de volta a sua infância onde esse mesmo azul tinha a forma de um belo avental  que sua avó usava para cuidar das rosas que deram uma frangacia a este lugar que Olivia jamais voltou a encontrar, eis que suas mãos tocam a face e rola a gota que se prendia no olho)





Terra do nunca