A vida não perdoa, ela não te da muitas chances, você perdeu já era, acabou, passou e você nem mesmo,
percebeu, acordou derrepente com todos os benefícios de um idoso, sem mesmo ter aproveitado os benefícios de
viver e ter 20, 30, 39, 45 anos, sentado em uma poltrona com um controle remoto na mão e já não tem força nem
mesmo para chorar e/ou lamentar-se, só resta mudar os canais, e procurar um aconchego na luz fria que sai da caixa
preta e é absorvida pelas paredes, também frias, do comodo, copo d'agua, comprimidos na mesa ao lado da poltrona,
para amenizar a dor das feridas causadas por uma vida não vivida; e continuar algo nas imagens chapadas do aparelho
, por não ter imagens imagens em memória, por ter passado a vida preso a costumes, dogmas, a sexo, a drogas compradas
livremente em qualquer estabelecimento que tenha um farmaceutico, presos em fabricas, igrejas, pessoas, em busca do
consumismo desenfreado. Assim temo ver minha vida, assim temo que alguém veja sua vida, assim temo que uma vida seja
passada, assim pessoas morrem dormindo na poltrona com o controle nas mãos, fazem o ciclo normótico: nascem e morrem,
esquece que entre o nascer e o morrer existe o Viver.
Ouro de Tolo
ResponderExcluirRaul Seixas
Composição: Raul Seixas
Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...
Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...
Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...
Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...
Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...
Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...
Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...
Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...
É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...
E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...
Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...
Ah!
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...
Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...