terça-feira, 14 de setembro de 2010

Para um amigo

A vida não perdoa, ela não te da muitas chances, você perdeu já era, acabou, passou e você nem mesmo,
percebeu, acordou derrepente com todos os benefícios de um idoso, sem mesmo ter aproveitado os benefícios de
viver e ter 20, 30, 39, 45 anos, sentado em uma poltrona com um controle remoto na mão e já não tem força nem
mesmo para chorar e/ou lamentar-se, só resta mudar os canais, e procurar um aconchego na luz fria que sai da caixa
preta e é absorvida pelas paredes, também frias, do comodo, copo d'agua, comprimidos na mesa ao lado da poltrona,
para amenizar a dor das feridas causadas por uma vida não vivida; e continuar algo nas imagens chapadas do aparelho
, por não ter imagens imagens em memória, por ter passado a vida preso a costumes, dogmas, a sexo, a drogas compradas
livremente em qualquer estabelecimento que tenha um farmaceutico, presos em fabricas, igrejas, pessoas, em busca do
consumismo desenfreado. Assim temo ver minha vida, assim temo que alguém veja sua vida, assim temo que uma vida seja
passada, assim pessoas morrem dormindo na poltrona com o controle nas mãos, fazem o ciclo normótico: nascem e morrem,
esquece que entre o nascer e o morrer existe o Viver.

Um comentário:

  1. Ouro de Tolo
    Raul Seixas
    Composição: Raul Seixas

    Eu devia estar contente
    Porque eu tenho um emprego
    Sou um dito cidadão respeitável
    E ganho quatro mil cruzeiros
    Por mês...

    Eu devia agradecer ao Senhor
    Por ter tido sucesso
    Na vida como artista
    Eu devia estar feliz
    Porque consegui comprar
    Um Corcel 73...

    Eu devia estar alegre
    E satisfeito
    Por morar em Ipanema
    Depois de ter passado
    Fome por dois anos
    Aqui na Cidade Maravilhosa...

    Ah!
    Eu devia estar sorrindo
    E orgulhoso
    Por ter finalmente vencido na vida
    Mas eu acho isso uma grande piada
    E um tanto quanto perigosa...

    Eu devia estar contente
    Por ter conseguido
    Tudo o que eu quis
    Mas confesso abestalhado
    Que eu estou decepcionado...

    Porque foi tão fácil conseguir
    E agora eu me pergunto "e daí?"
    Eu tenho uma porção
    De coisas grandes prá conquistar
    E eu não posso ficar aí parado...

    Eu devia estar feliz pelo Senhor
    Ter me concedido o domingo
    Prá ir com a família
    No Jardim Zoológico
    Dar pipoca aos macacos...

    Ah!
    Mas que sujeito chato sou eu
    Que não acha nada engraçado
    Macaco, praia, carro
    Jornal, tobogã
    Eu acho tudo isso um saco...

    É você olhar no espelho
    Se sentir
    Um grandessíssimo idiota
    Saber que é humano
    Ridículo, limitado
    Que só usa dez por cento
    De sua cabeça animal...

    E você ainda acredita
    Que é um doutor
    Padre ou policial
    Que está contribuindo
    Com sua parte
    Para o nosso belo
    Quadro social...

    Eu que não me sento
    No trono de um apartamento
    Com a boca escancarada
    Cheia de dentes
    Esperando a morte chegar...

    Porque longe das cercas
    Embandeiradas
    Que separam quintais
    No cume calmo
    Do meu olho que vê
    Assenta a sombra sonora
    De um disco voador...

    Ah!
    Eu que não me sento
    No trono de um apartamento
    Com a boca escancarada
    Cheia de dentes
    Esperando a morte chegar...

    Porque longe das cercas
    Embandeiradas
    Que separam quintais
    No cume calmo
    Do meu olho que vê
    Assenta a sombra sonora
    De um disco voador...

    ResponderExcluir